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Killologia aplicada: Lutar, fugir, dominância ou submissão


Podemos observar a limitação que o combatente muitas aprende sobre as possibilidades estratégicas em um campo de batalha. Sendo condicionado a uma visão dicotômica: Lutar ou fugir. Como muito bem esclarece o tenente-coronel Dave Grossman em sua obra "On Killing":


"A noção de que as únicas alternativas ao conflito são lutar ou fugir está inserida em nossa cultura, e nossas instituições educacionais pouco fizeram para contestá-la. A política militar americana tradicional eleva-o ao nível de uma lei da natureza."


Essa observação se deve pelo fato quando se olha a natureza as espécies se em quatro possibilidades: Lutar, fugir, dominância e submissão. Sendo que a dominação e submissão deveria ser melhor estudada e valorizada, pois evita perigos e mortes desnecessárias.


As quatro posturas no combate extremo


Antes de tudo temos que entender quando Grossman nos fala sobre as posturas em combate, ele está nos remetendo ao estudo necessário do uso progressivo de força. Estudo esse que é a base de quem quer montar seu sistema de autodefesa de maneira séria, levando em conta todas as possíveis situações em um combate seguindo um escalonamento da violência: POstura de dominância (Presença do operacional); Submissão( negociação para evitar violência desnecessária); combate ( legítima defesa, legítima defesa de terceira, estrito cumprimento do dever legal), fuga ( quando os agressores estirem em grande vantagem, numérica ou com armamentos, por exemplo).


1. Dominância: Lógico que ter uma boa postura é essencial, evita você ser escolhido como alvo por possíveis predadores e faz você também se sentir mais forte e melhor preparado. Postura confiante é o primeiro passo para quem trabalha em área de segurança. A importância estratégica da postura de dominância é tão importante que tanto Grossman em on Killing como o psicólogo canadense Jordan peterson em sua obra 12 regras para a vida abordam essa questão, lembrando que até na natureza, muito antes da existência do homem os animais já adotavam essa tática. Que podem ser observadas por exemplo em babuínos, lobos, lagostas, cobras, baiacus, etc.


Quando um homem está assustado, ele literalmente para de pensar com o cérebro anterior (ou seja, com a mente de um ser humano, a sua parte racional) e começa a pensar com o mesencéfalo (ou seja, com a parte de seu cérebro que é essencialmente indistinguível da de um animal), e na mente de um animal é aquele que faz o barulho mais alto ou se mostra maior que vencerá.


O homem desde a antiguidade já tinha percebido a importância da presença no combate. A postura pode ser vista nos capacetes emplumados dos antigos gregos e romanos, que permitiam ao portador parecer mais alto e, portanto, mais feroz para seu inimigo, enquanto a armadura brilhante o fazia parecer mais largo e mais presente. Essa plumagem atingiu seu auge na história moderna durante a era napoleônica, quando os soldados usavam uniformes brilhantes e chapéus shako altos e desconfortáveis, que não serviam a nenhum propósito além de fazer o usuário parecer uma criatura mais alta e perigosa.


No relato de Paddy Griffith's Táticas de batalha da Guerra Civil, podemos ver o uso efetivo da postura verbal na floresta densa da campanha na Terra Selvagem da Guerra Civil Americana:


Os gritos não podiam ser ouvidos, e uma companhia poderia soar como um regimento se gritasse alto o suficiente. Os homens falaram depois de várias unidades de ambos os lados sendo "gritadas" para fora de suas posições.


Em tais casos, as unidades são expulsas de suas posições aos gritos, e vemos a postura em sua forma mais bem-sucedida, resultando na seleção do oponente da opção de fuga, mesmo sem tentar a opção de luta. Adicionar as opções de postura e submissão ao modelo padrão de luta ou fuga de resposta à agressão ajuda a explicar muitas das ações no campo de batalha.


2. Submissão: Submissão aqui não deve ser entendido como uma atitude passiva frente ao inimigo, mas sim uma postura estratégica dentro do uso progressivo de força: a negociação. As vezes o combate não vale a pena por diversos motivos: Você pode estar acompanhado de pessoas que estão com você que precisam da sua proteção, como sua família então não vale a pena coloca-los em risco. Ou situações que podem simplesmente ser evitadas se você ignorar e se afastar do problema para evitar um cenário com um final trágico. Como sabemos em um cenário de confronto é muito fácil escalonar para a violência desproporcional então sempre que possível devemos tentar o processo contrário, o de resfriamento. Não é por que você sabe que pode vencer, você deve lutar. As possíveis repercussões para o cidadão comum que entra em uma situação de violência são grandes: prisão, antecedente criminal, vingança, ferimentos, mortes. Então sempre é preferível buscar uma alternativa. Principalmente diante de um inimigo com vantagens estratégicas como maior número, armado ou sendo pego de surpresa em uma assalto).


Lutar: Lutar é extremamente necessário, quando sua vida e integridade física estiver em risco. A legislação está ao seu lado nesses casos, já que é previsto a legítima defesa, legítima defesa de terceiro e estrito cumprimento de dever legal. A autodefesa devidamente legítima em um cenário de combate extremo deve ser brutal, feroz e muito rápido. Por isso que deve ser usado em específicos, o combate real nunca deve ser baseado em vaidade, pois uma vez aplicada não tem mais volta, terá consequências.


Fugir: Fugir também é uma atitude estratégica e legítima em autodefesa. Imagine você trocando soco contra um agressor e começa a chegar oito amigos dele, com certeza você será linchado. Ou em outra situação você trocando tiro com um criminoso e de repente percebe a chegada de mais criminosos armados com equipamentos pesados como fuzis por exemplo. Vantagem numérica, ou de equipamento são realidades irrefutáveis que devem ser levadas a sério. lembre-se você não está em um filme. Viva para lutar um outro dia. Lutar pela vida até o último momento como um leão, mas sempre saiba analisar quais lutas podem ser ganhas, sempre pensar na sua sobrevivência e nas pessoas que dependem de você em primeiro lugar. Saber a hora certa de recuar e sair do campo de batalha no momento certo demonstra sabedoria por parte do combatente.


Conclusão


Como vimos na verdadeira autodefesa, devemos evitar pensamentos polarizados, lutar ou fugir. Observando a sabedoria na natureza vemos que os animais trabalham mais com posturas do que combate propriamente dito, posturas de dominância. Principalmente contra membros da própria espécie como uma forma de sobrevivência. E a postura adequada do combatente emana sua presença forte e a consequente dominância em determinada realidade. Então devemos entender que o modelo polarizado lutar e fugir não é adequado, principalmente no cenário urbano, em nosso dia a dia, que por meio de uma postura de hard target ou saber negociar podemos evitar confrontos desnecessários.


Lembre-se: O sobrevivencialista e combatente urbano faz seu próprio caminho, é o seu próprio mestre, não procure por um Mestre Yoda pra chamar de seu. Seja questionador, faça cursos em lugares credenciados com profissionais com experiência em área de segurança. Afinal autodefesa é um investimento para proteger a sua vida e daqueles que o cerca. Sempre fi.

Dúvidas? Sugestões? Deixem nos comentários. E nos ajude a lutar por uma internet livre onde possamos aprender e compartilhar conhecimento, sem restrição.

Prof. Marcos Antônio Ribeiro dos Santos


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Sobreviva a tudo e a todos. Seja o seu próprio Mestre. Autodefesa levada à sério.


Grupo Centro de Estudo MARS de Sobrevivencialismo Urbano


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